O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu recorde em 2024, impulsionado por juros altos, inflação e crédito caro. Isso reflete a deterioração do ambiente de negócios e pode afetar empregos e consumidores.
O Brasil registrou em 2024 o maior número de empresas em recuperação judicial da história, segundo dados do Serasa Experian. O cenário é marcado por juros elevados, inflação persistente e restrição ao crédito, que sufocam o fluxo de caixa das companhias. A recuperação judicial é um mecanismo legal previsto na Lei 11.101/2005 que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociarem dívidas com credores sob supervisão judicial, evitando a falência.
O aumento recorde reflete não apenas a conjuntura macroeconômica adversa, mas também o endividamento excessivo de muitos negócios contraído durante a pandemia. A elevação da taxa Selic para conter a inflação encareceu o crédito, tornando insustentável a rolagem de dívidas. Além disso, a inadimplência das empresas cresceu, levando mais delas a buscar a proteção judicial. Especialistas apontam que a tendência pode se agravar se não houver redução dos juros e melhora no acesso ao crédito.
Para o cidadão comum, o recorde de recuperações judiciais significa risco de desemprego e redução da oferta de produtos e serviços. Empresas em recuperação podem demitir funcionários, fechar unidades ou atrasar pagamentos a fornecedores, gerando um efeito cascata na economia. Consumidores que adquiriram bens ou serviços dessas empresas podem enfrentar dificuldades para obter garantias ou assistência. Além disso, o ambiente de negócios mais frágil desestimula investimentos e pode encarecer ainda mais o crédito para todos.
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