Dois policiais militares condenados pela tortura e morte do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, em 2013, continuam na corporação. A Justiça do Rio extinguiu o processo administrativo contra eles por prescrição, o que impede a demissão. A decisão gera indignação e levanta dúvidas sobre a responsabilização de agentes públicos.
O Caso Amarildo marcou o Rio de Janeiro em 2013, quando o ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza desapareceu após ser levado por policiais militares para a sede da UPP da Rocinha. Investigações posteriores revelaram que ele foi submetido a sessões de tortura que culminaram em sua morte. Em 2016, dois oficiais foram condenados criminalmente pelo crime, mas a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio decidiu, em 2026, extinguir o processo administrativo que poderia levar à expulsão dos policiais da corporação, devido à prescrição da punição administrativa.
A decisão baseou-se no fato de que o processo administrativo disciplinar não foi concluído dentro do prazo legal, que é de cinco anos para infrações graves. Com a prescrição, a administração pública perde o direito de aplicar a pena de demissão, mesmo que os policiais tenham sido condenados criminalmente. Isso significa que, apesar da condenação na esfera criminal, eles podem permanecer na ativa, recebendo salários e podendo até mesmo atuar em operações policiais. A situação expõe uma lacuna no sistema de responsabilização de agentes públicos, onde a morosidade dos processos administrativos pode beneficiar os acusados.
Para o cidadão comum, essa decisão enfraquece a confiança nas instituições e na justiça. Ela mostra que, mesmo em casos de crimes graves cometidos por policiais, a punição efetiva pode não ocorrer, especialmente quando há demora nos procedimentos internos. Isso pode desestimular denúncias de abusos e violência policial, pois as vítimas ou familiares podem sentir que não haverá consequências reais. Além disso, a permanência de policiais condenados por tortura na corporação representa um risco à segurança da população, especialmente em comunidades carentes.
Se você ou alguém próximo for vítima de violência policial ou testemunhar abusos:
Veja guias práticos de Criminal para situações reais.
Tem uma situação que não encontrou aqui? Quer sugerir um guia ou dar feedback? Adoramos ouvir.
Este site usa cookies para análise de visitas. As informações publicadas têm finalidade exclusivamente informativa e não constituem consultoria jurídica. Consulte sempre um advogado registado na OAB para seu caso específico.
Digite para buscar entre 32 situações jurídicas