O aumento dos aluguéis no Rio de Janeiro, impulsionado pela dolarização e pelo interesse de investidores estrangeiros, está expulsando moradores de bairros valorizados. A alta supera a inflação e pressiona o custo de vida, tornando a moradia inacessível para muitos cariocas.
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro vive um fenômeno recente: a dolarização dos aluguéis, que tem elevado os preços acima da inflação. Com a chegada de investidores estrangeiros e a especulação imobiliária, bairros como Ipanema, Leblon e Copacabana tornaram-se alvos de contratos atrelados ao dólar, o que encarece a moradia para os brasileiros que recebem em reais. A prática, embora legal, levanta questões sobre o direito à moradia e a função social da propriedade, previstos na Constituição.
Esse movimento é impulsionado pela valorização cambial e pela busca de ativos seguros por estrangeiros, que veem no Rio um destino turístico e de investimento. Contudo, a indexação de aluguéis à moeda estrangeira transfere o risco cambial ao inquilino, que pode sofrer aumentos imprevisíveis. A legislação brasileira, como a Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), permite a livre pactuação entre as partes, mas não regula especificamente a dolarização, criando um vácuo que favorece o locador.
Para o cidadão comum, o impacto é direto: muitos moradores estão sendo forçados a deixar seus bairros de origem, buscando regiões mais afastadas ou até outras cidades. Isso altera a dinâmica social e cultural do Rio, além de aumentar o tempo de deslocamento e os custos de transporte. A falta de políticas públicas efetivas de habitação agrava o problema, deixando a população vulnerável à especulação.
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